Vanderlei Cordeiro de Lima
O destino reservou surpresas para Vanderlei Cordeiro de Lima. Em 1994, aos 25 anos, por exemplo, fez sua estreia em maratonas e provocou um fato inusitado: entrou para correr apenas metade da prova, na cidade francesa de Reims, mas “sentia-se tão bem”, que resolveu continuar. Resultado: venceu a corrida.
Uma década depois, Vanderlei foi o principal protagonista dos Jogos de Atenas, em 2004. Ele liderava a prova, com ampla vantagem, quando, na altura do km 37, foi derrubado por um manifestante irlandês. Apesar dos prejuízos físicos e emocionais, voltou à prova e ainda conquistou a medalha de bronze para o Brasil. Por sua atitude, tornou-se o terceiro nome da história a receber a Medalha Pierre de Coubertin, do Comitê Olímpico Internacional.
O livro "A maratona de uma vida", escrito por Renata Adrião D’Angelo, retrata a saga do corredor nascido em Cruzeiro D’Oeste, no Paraná, em 11 de agosto de 1969. Disputou o PAN de 2007, no Rio de Janeiro, e no ano passado, aos 38 anos, deixou oficialmente as competições. Na festa dos 90 anos da Confederação Sul-Americana de Atletismo, em Manaus, ganhou a comenda “Gran Atleta”.
Atleta versátil, Vanderlei conseguiu bons resultados em provas de pista e de rua. Em sua especialidade, a maratona, seu recorde pessoal é de 2:08:31, obtido em 1998, em Tóquio. Também é seu o melhor resultado na distância alcançado em território nacional: 2:11:19, em 1992, em São Paulo. Conquistou ainda o bicampeonato pan-americano da maratona, em Winnipeg (Canadá - 1999) e Santo Domingo (República Dominicana - 2003). Ganhou prata no Mundial de Ekiden, em Copenhague (Dinamarca - 1996), e bronze na Copa do Mundo de Maratona, em Atenas (Grécia - 1997).
Agora, aos 42 anos, casado e com duas filhas, Vanderlei promete continuar no atletismo, desenvolvendo trabalhos no Instituto que leva seu nome, em Campinas. Ele integra a Comissão de Atletas da CBAt, eleito pela Assembleia Geral, e o Programa Heróis do Atletismo, mantido pela Confederação, com patrocínio da Caixa Econômica Federal.
A Medalha Pierre Coubertin é uma honraria humanitária concedida a atletas que demonstram alto grau de espírito esportivo durante os Jogos Olímpicos. A medalha não está relacionada com o desempenho técnico do atleta, mas sim com suas qualidades morais e éticas demonstradas em momentos difíceis e inesperados das Olimpíadas.

